Postado em Sem categoria em maio 27, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteira nas coisas que me contas, e assim calada, e assim submissa, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és…

Guia Básico do Turista Abandonado – Fascículo 1

Postado em Sem categoria em maio 24, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Você pegou um avião, foi para um outro estado e, de repente, por um desses desencontros da vida, você se vê sozinho numa cidade que não conhece. E agora?

Este Guia traz um resumo das experiências vividas por esta autora. São diversas dicas para você se safar e tentar transformar essa situação em divertidas férias.

Regras básicas

Independente de quem você seja e da cidade onde esteja, há regras básicas – pra início de conversa – que todo turista abandonado deve saber.

Regra número 1: pense globalmente, aja localmente.
Isso funciona da seguinte maneira: enquanto você pensa que TODO MUNDO que cruza sua frente simplesmente sabe que você é turista e está sozinho, você sai andando normalmente como se conhecesse o lugar e como se nada estivesse acontecendo. Sim, você vai ficar vermelho algumas vezes, vai sentir a orelha quente. Mas isso é normal. Afinal está realmente todo mundo rindo por dentro de você. Mas, quer saber, quem nunca ficou sem graça na vida? (agora, se começar a coçar e empolar também, deve ser intoxicação alimentar… Mesmo! O que nos leva à regra 2).

Regra número 2: na Itália, coma como os italianos.
Você está na Itália? Não? Então vai pro McDonald’s, meu amigo. Além disso, Domino’s, Pizza Hut, Casa do Pão de Queijo e barraquinha de pipoca são outras boas opções. Nada de camarão, restaurantes com trocadilhos no nome ou restaurante japonês com nome criativo. Fuja!

Regra número 3: localize-se.
Aqui é o mais complicado e vou dividir em sub-regras

3.1: Nunca abra aqueles mapas com ilustração que tem na recepção do hotel. Aqueles que têm os pontos turísticos em destaque e se parecem com papel de bandeja do McDonald’s. Porque além de ser ridículo você com esse tamanho olhando mapinha com desenho, eles sempre colocam todas as atrações perto do seu hotel. É sempre tudo perto. Tudo é ali. Tudo é fácil. “Ué, mas essa avenida expressa não estava aqui, cadê a Fonte Mágica do Siri? Só se for… porra, mas como atravesso pro outro lado?” . É… se vira, malandro! Quem mandou usar o mapinha.

3.2: Muito cuidado com as dicas dos recepcionistas. Aliás, muito cuidado com qualquer informação que venha de alguém que te deseja bom dia a cada meia hora e se veste igual a um miquinho de realejo. Lembre-se: alguma pessoa vai ter que pagar por isso… Afinal, você faria o mesmo!

3.3: Atente para um detalhe: em toda cidade do Brasil existe uma rua ou avenida Rio Branco, Washington Luis, Bandeirantes, Getúlio Vargas etc. Se perdeu? Use a manobra “Personagem Histórico”. Escolha um, entre num táxi e seja firme: “Por favor, vamos para a Rio Branco!”. Aí, se ele perguntar: “Que altura?”, ferrou! Tentar responder vai ser pior, nesse caso o melhor é parecer maluco. Você levanta teu braço direito até o lado da tua cabeça com a palma virada pra baixo e fala: “Mais ou menos essa, ó!” (e dá uma balançadinha na mão pra frente e pra trás, como um dj). O bom de parecer maluco é que ele também vai evitar te enganar, afinal você pode ser meio agressivo… Chegando na rua de personagem histórico, vire à primeira esquerda e siga em frente. Sempre dá certo.

3.4: Falando em táxi. Sempre tenha mais dinheiro do que você acha que precisa. Porque turista tem cara de otário. Não adianta. E não adianta você se informar: pega aqui, vira ali e depois entra naquela… Não adianta. Eles têm mecanismos para te desconcentrar do tipo: “Virar aqui hoje???”, “O doutor não é daqui, né?”, “Não é melhor ir pela Machado? Essa hora…”. Coisinhas bobas, mas que te fazem hesitar. Então relaxa e entregue pra Deus. “Olha, rapaz, você que manda! Não sou daqui…”. Na melhor das hipóteses, saiba o tempo médio da corrida. Isso é mais eficiente que saber o caminho: “Eu vou aqui pra Duque Estrada, 10 minutinhos!” Agora ele já sabe que não vai poder fugir desse prazo e dez minutos de taxímetro nem é tanto assim…

Regra número 4: compre logo a passagem de volta.
A quem vamos enganar? Se você está sozinho num lugar que não conhece, volta logo, caramba!

No próximo fascículo, o Guia do Turista Abandonado traz dicas para situações práticas. E aí, o que você vai fazer? Que tal um showzinho? Quer parecer normal no hotel? Não perca!

dor que TEVE nome

Postado em Sem categoria em maio 18, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Escrito exatamente no dia 18/05/2008. É incrível ler meus textos antigos e perceber como as coisas mudaram aqui, no lado de dentro. Esse foi o ponto final do capítulo 8 da minha auto-biografia intitulado “relacionamentos amorosos falidos”:

Amar e ser amado é tudo o que se quer. Com amor, tudo que se faz parece ter mais sentido, a vida tem mais cor, as coisas banais parecem mais prazerosas. Por isso, a separação, quando acontece, dói muito, de um jeito impossível de definir. Uma dor que não é só solidão, que não tem nome.

Quando a separação é inevitável, e vem sendo apenas adiada, como quem empurra a sujeira para baixo do tapete, cedo ou tarde chega o dia em que uma das duas pessoas envolvidas, ou ambas, admitem que o relacionamento acabou, está só no papel, ou nem está nele. É tempo de fazer as malas, é tempo de sofrer esse luto, que existe mesmo quando o amor não existe mais.

Estar sozinha implica em muitas pequenas coisas, que como definiu Chico Buarque, são “a soma de tudo que chamam lar”. O controle da TV finalmente está nas suas mãos (antiga reivindicação…), mas na prateleira faltam livros, a estante dos CDs está desfalcada, o armário do banheiro esvaziou de repente, deixando sua escova de dentes lá dentro, sozinha, vazia como você. É o momento em que se fica frente a frente consigo mesma, com o sonho que não deu certo, a boneca que quebrou, o amor que se jurou eterno e, como vidro, se quebrou. Daí a dor, daí a necessidade de se repensar a vida, não sem antes admitir o luto.

As pessoas, quando se separam, sentem-se perdidas e sem rumo porque todo relacionamento (e quanto mais longo mais isso acontece) implica numa fusão dos egos, é como se não existisse mais “você” e “eu”, mas uma nova entidade chamada “nós”. A separação rompe esse parâmetro, então é preciso reencontrar o ego, desconstruir para voltar a se encontrar. Nesse período, vale tudo o que puder ajudar: o colo da mamãe, quando ainda está disponível, a conversa com as amigas (cuidado com as que se comprazem com a dor alheia…) e, muitas vezes, a ajuda de um profissional de Psicologia se faz necessária para que esse período de perda e luto seja melhor enfrentado. Por mais que as amigas e amigos se esforcem, não há conselho que ajude. É como quebrar um osso: o gesso ajuda, o anti-inflamatório e o sedativo ajudam, mas só o tempo pode resolver o problema definitivamente.

Há, porém, formas de se minimizar o sofrimento, e o auxílio psicológico está entre elas, quando a dor não é de osso, mas é de alma. Se você quebrar um osso e não procurar socorro, pode ter graves complicações; da mesma forma, as dores de amor dependem principalmente do tempo, mas é preciso ajudar o tempo a fazer o seu papel.

Toda separação é dolorosa, essa é a grande verdade. Mesmo que as pessoas envolvidas neguem. Refazer a vida, reorganizar o tempo sem a outra pessoa, por pior que estivesse a relação, implica numa desconstrução que muita gente não consegue fazer, ou faz muito mal, e continua sofrendo, tanto ou mais do que quando estava numa relação péssima. Há pessoas que se deprimem, outras somatizam a dor, ficando doentes, outras ainda engordam demais ou param de comer. Todas sofrem. No entanto, vale também aqui o ditado popular: “não há mal que sempre dure nem bem que para sempre perdure”.

Começar de novo, reorganizar a rotina é difícil, mas muitas vezes é necessário, para que se continue a viver, e viver bem. Quem sabe, até bem melhor do que se vivia antes. No entanto, é preciso saber passar pela tormenta, antes que venha a calmaria.

13 motivos para não votar no PT

Postado em Sem categoria em maio 17, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Companheiros, todos sabem que além de Corinthiana doente, sou PMDB rachada. Então, senhores, leiam e reflitam em cima dos motivos pelos quais eu não voto no PT:

1. Porque meu senso de alienação não chega a tanto.

2. Porque ética é um conceito não-conjuntural, não restrito às circunstâncias.

3. Porque acredito que a mentira deslavada só traz mais mentira.

4. Porque a meritocracia precede o apadrinhamento político.

5. Porque embromação não se aplica à coisa pública.

6. Porque a consciência dos próprios erros, mancadas e burrices é um implícito reconhecimento de que o outro tem mais capacidade atualmente para estar no meu lugar, até prova em contrário.

7. Porque a capacidade de reconhecer a própria incapacidade é proporcional à possibilidade de aprender com os próprios erros e se dedicar à auto-superação e aprendizagem constantes.

8. Porque o interesse público se sobrepõe aos interesses de um partido, que é limitado no tempo e no espaço, ao passo que a nação perdura e sobrevive às gerações.

9. Porque a palavra empenhada vale mais do que os “podres poderes” de ocasião.

10. Porque a visão macro é mais determinante no futuro do país do que a visão tacanha que só almeja o poder pelo poder.

11. Porque a não-vinculação a ideais superados é um primeiro passo para a consecução de resultados positivos.

12. Porque mitômanos e megalomaníacos devem procurar ajuda de um analista, em vez de estarem no leme de uma nação gigantesca e já com problemas e carências demais.

 13. E porque 13 é um número que dá azar, pelo menos pra mim…
 
 
Abram o olho e boa tarde!

sexyedades

Postado em Sem categoria em maio 12, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Sexy não é o decote mais ousado, mas sim as costas lisas que aparecem quase que sem querer. Tu não te tornas sexy, não se faz sexy. Não incorporas personagens na intenção de ser sexy. Não se compra certificados ou posturas sexy em lojas.
Sexy apesar do radical, nem sempre está relacionado ao sexo. Um pode vir a ser conseqüência do outro, mas não necessariamente. Ou nessa ordem.
Atitudes politicamente corretas são sexy. Vulgaridade não. Cueca branca sim. A camisola de algodão pode ser mais sexy do que a cinta liga. O cheiro da loção pós-barba, de roupa seca no sol e sabonete jonhson´s são mais sexy que músculos.
Tua avó há de concordar, pêlos no peito são sexy. Todavia, Tony Ramos não é.
Mãos são sempre sexy, enquanto que o bumbum nem sempre. E só imaginar cada um deles sujo de graxa.
Olhos cerrados do sol, ou pela falta de vista mesmo são sexy. Timidez pode ser sexy. “Bom dia”, “Com licença”, boa educação é sexy. Unhas vermelhas, apesar da intenção e do senso comum, dificilmente são consideradas sexy pelos homens.
Bom humor é tão sexy quanto champagne. No entanto que sejam usados em horas certas e com moderação. Ninguém quer sair para jantar com um show humorístico, menos ainda com um membro do AA. E sim, nessas condições, os dois podem ser usados em parceria! E não, tu não precisas estar acompanhado para isso. Porque para ser sexy tu não precisas necessariamente de uma segunda pessoa, já que independência e liberdade lideram o ranking das “coisas” sexy.
E por mais que possa parecer contrária a colocação anterior, devo revelar que as suas mãos dadas com as de outra pessoa pode te deixar mais sexy para tantas outras pessoas. Porque o ser humano é assim mesmo, acha sexy o que não tem, o que não é palpável, o arriscado. Um tanto quanto deprimente, eu sei, mas é só colocares a mão na consciência para confirmar.
Um cara fazendo compras no supermercado, analisando valor calórico das coisas e levando um bom vinho em seu carrinho pode ser sexy. Esse mesmo homem fica ainda mais sexy quando tenta em vão ajeitar o cabelo da filha na porta da escola. E ele nem precisará ter todos os dentes pra isso. Porque as mulheres são assim, encantam-se com homens que tratam bem os animais, dão moedas para crianças em semáforos e não jogam lixo no chão. Não tente entender, apenas faça.
Particularmente, sexy são as atitudes que não têm a intenção de serem sexy. Não são as caras e bocas forçadas que se vêem em fotos. Começando pelas minhas, lógico.
Não são rendas e transparências. Nem a morena mais que a loira. Sexy é algo intrínseco. Que geralmente encontra-se em entrelinhas.
Claro, pode ser também Angelina Jolie e Justin Timberlake. Mas são também olhares, gestos simples e posturas diante da vida.
Sendo assim, desista de forçar a barra. Desencana do batom vermelho que não te cai bem. Ao menos que trabalhes no circo ou estejas tentando conquistar o Bozo. Todas aquelas fantasias que fazem da tua gaveta uma espécie de Guia de Profissões, tu podes até guardar para o próximo Hallowen. Doar para um grupo de teatro, bloco carnavalesco, tanto faz.
Eu sei que sonhas com as tuas havaianas encardidas todas as noites que optas pelo salto fino a fim de ficar mais sexy. Se tu soubesses como esses malditos sapatos tornam-se verdadeiras armas contra ti lá pelas 3 horas da manhã, quando já estás andando feito maratonista em final de prova. Segurando nas paredes, arrastando os dois pés com a cara sofrida, forjando um sorriso para o gatinho e dizendo: Que nada, bobo! Tô ótima, agüento até o sol raiar! Uhul!
Não, não! Isso não é sexy. Não mesmo.
Então preste atenção e veja bem como é simples…
Quantas vezes ele já não mencionou que ficas linda dormindo com a cara enterrada no travesseiro? Ou que aquele vestidindo surrado e manchado de Q-boa que tu fazes a faxina nos sábados é a roupa que deixa mais atraente?
E tu aí, já não ouvisses diversas vezes ela cochichar com as amigas ao telefone, enquanto tu lias o jornal, que te acha uma graça de óculos?
Ou então nunca percebeu a cara de boba que ela fica toda vez que lambes o pote do danoninho?
Então repito: Desista de forçar a barra. A naturalidade sai mais barata e te faz somar pontos. Não cansa e não traz nenhum tipo de frustração. E ainda assim, caso alguma coisa possa vir a dar errado, tu colocas toda a culpa nos teus pais e na educação que eles te deram.
A incessante busca termina aqui, quando descobres que o mais sexy de todos és tu sendo tu mesmo.
Quando optas por usar nenhum outro artifício que não seja a tua personalidade.

Ele pode

Postado em Sem categoria em maio 10, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

6h00. Acordo. É segunda. Ou seja, já está tudo errado! Mas ainda assim decido me levantar. Péssima decisão. Vou caminhando até o banheiro. Mil pensamentos surgem em minha cabeça: devo voltar pra cama? Banho ou xixi primeiro? Cadê meus cremes e minha maquiagem? Quem foi o quarto presidente brasileiro? Espera aí, quarto presidente brasileiro? Pra que eu quero saber isso?!

Então chego ao destino de minha longa e melancólica viagem de quatro metros. Roupa de um lado, disposição de outro e eu no meio sem saber o que fazer. Escolho o chuveiro. Banho quente, lógico.

Aiiiiiiiiiiii! Cadê a água quente?! Auuuuuuu. Que frio, merda! Prudente de Moraes! Eu sabia! O Prudente de Moraes foi o quarto presidente brasileiro… e o vice? Não, Rafaela, não começa…

Depois desse banho, tudo se esclarece. As dúvidas dão lugar a duas certezas: primeiro, definitivamente não devia ter saído da cama; segundo, hoje Deus tinha me escolhido para se divertir. Sim, porque ele faz isso! Tenho certeza!

Parto para a maquiagem. É claro que eu perdi o meu corretivo… Decido usar aquele vagabundinho da farmácia. Quando estou terminando, noto a embalagem do corretivo bom e novo escondida no canto da pia. Novinho. Mas isso não é nada, vocês vão ver!

Depois de me transformar, resolvo me vestir para a faculdade. Vocês já usaram meia úmida? Usei hoje… pela primeira vez. É uma situação super confortável, principalmente quando metade dela sai e empapa na ponta do tênis. Que coisa boa!

Mas o fato é que, apesar de tudo, estou pronta para mais um dia. E que dia, suponho eu. No mínimo serei demitida ou desistirei de mais uma faculdade. Com um pouquinho mais de empenho, talvez consiga um processo e, quem sabe, alguma decisão minha seja responsável pela falência de algum evento importante… Isso se eu conseguir chegar até a faculdade, porque estou sem carro. Ônibus ou táxi? Ônibus, mais barato. 

Nesse momento começo a rir. Um pombo faz cocô em mim. Meus olhos se enchem de lágrimas. Por quê, Deus? O que te fiz? O pombo volta, mas dessa vez sou mais rápida e consigo fugir dele. Aha! Te peguei, Seu sabichão… Nisso cai um raio no prédio ao meu lado. Entendo o sinal e volto para minha insignificância.

Começo a soluçar. Mas nem ligo, porque sei que logo, logo, levarei um susto. Passo a alternar soluço e espirro. Mas será possível?! Só falta aquele pombo voltar e… merda! Por que não calo minha boca?!

Decido ir de táxi! Como não tem troco? Não! Que história é essa de ficar me devendo? Quer fazer o favor de parar de rir, vai dizer que um pombo nunca te… Ah é? Jura? Mas como o senhor consegue? Ei, otária é a mãe! O senhor que pode ficar com esse troco! Duvido que saiba quem foi o quarto presidente americano, tá?! Foi Prudente de Moraes… Americano porra nenhuma! Eu disse quarto presidente brasileiro!

Saio viva do táxi. Bom sinal. Talvez Deus tenha voltado ao trabalho e o dia comece a melhorar. O taxista ficou com o troco. Mas eu não ia discutir com alguém que não entende nada de história.

Pego o elevador. Ele passa direto pelo meu andar. Isso já está indo longe demais, Deus! Porque a implicância comigo??? Hein?! Como não pára no primeiro, meu amigo? Veio assim da manutenção? E você não avisa antes, né?! Maluco é você! Falo com Deus sim, e daí?! Vou mandar te dar uma correção! Sou assim com Ele, meu amigo! Ué, amigos discutem, ora! Vá você!

Páro 5 andares a cima e desço de escada, com aquele aviso “Cuidado! Piso escorregadio”. Sigo em frente. Passo por meus colegas no corredor normalmente. Chego a conclusão de que Deus deve estar me testando, vou agir como se nada estivesse acontecendo. Nada de discutir mais até o fim do dia!

Porra, quem levou minha cadeira? Senta você na lixeira… Vá pra merda, cacete! Quero minha cadeira, pô. Eu não estou gritando… QUEM DISSE QUE ESTOU GRITANDO? Ah! Vão se… Espera aí, por acaso vocês sabem quem foi o quarto presidente brasileiro, seus malandrões…? Hein? Hein? Prudente de Moraes? Ah… errou! Errou sim! Errou sim! Errou! Tá, mas quem foi o vice? Como Manuel Vitorino? Sério? Vocês querem parar de rir! Vai dizer que um pombo nunca acertou você… Muito engraçadinhos… Vão pra… Ãhn? Quem me chama? Claro, professora! Sim, eu vou! Onde?! Pegar a prova? UM?! EU TIREI UM? Porra, daí é sacanagem né… 

É… Deus sabe se divertir. Mas tudo bem, Ele pode.

flamengou no pacaembu

Postado em Sem categoria em maio 6, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Flamengo.

Como o Corinthians que venceu e não levou na bela festa no Pacaembu, não há nada que explique. 

As duas maiores paixões do Brasil têm outra coisa em comum – e ainda mais inexplicável: são usualmente os únicos gigantes brasileiros que vencem rivais quando têm equipes inferiores. E, quando se encontram, conseguem reverter todos os placares e expectativas. Como o Flamengo que mereceu vencer na batalha naval e heroica no Maracanã, quando parecia inferior ao rival paulista. Como o Corinthians que fez o melhor tempo dele em 2010, e em muito tempo, reverteu a desvantagem na primeira etapa, e parecia ter tudo para fazer uma reversão histórica.

Mas há algo nas águas e nas almas da Gávea que parece conseguir coisas que a lógica jamais poderia imaginar. Antes de a bola rolar, muitos corintianos eméritos, vários ex-jogadores, jornalistas de todas as cores e credos, muitos presentes ao Pacaembu não acreditavam na redenção alvinegra. Nem tanto pelas debilidades corintianas, mas, sobretudo, pela força do contragolpe rubro-negro. E por essa inexplicável aura que reveste a camisa vermelha e preta. Essa que fez um jogo mais que perdido no segundo tempo se transformar numa senhora segunda etapa, e mais um tempo para o flamenguista guardar por todos os tempos. Foram 6 chances rubro-negras contra 4 alvinegras. Nos 180 minutos, o Flamengo foi melhor. E quando o Corinthians tentou, Bruno fez a defesa do jogo, aos 46, numa bela cobrança de Chicão, e numa espalmada antológica dele. 

Abusando de todos os chavões, não foram apenas dois tempos distintos: foram eras diferentes. Merecem separadamente ser analisadas:

PRIMEIRO TEMPO CORINTIANO

O goleiro Felipe, voltando de contusão, dividiu duas bolas com Adriano e Juan como se não houvesse amanhã. Uma atrás da outra, no fim da primeira etapa brilhante paulista. Na primeira, sobrou para o Imperador, machucadoa. No contragolpe, Dentinho enfiou A Bola para Ronaldo voltar a ser Ronaldo. Mesmo depois da patética exibição no Maracanã, na coluna de terça-feira, no LANCE!, cravei (com bastante medo de errar): “Só duvido de quem ainda duvida de Ronaldo”.

Indiscutível: Fenômeno. Até porque Adriano, o que vira notícia quando vai ao treino, não conseguiu jogar na primeira etapa. O Timão dividiu com a raça de Elias e Felipe, e com a bola que esse time tem – embora nem sempre tenha jogado em 2010 -; em 21 minutos, teve todas as chances que não criou no Maracanã porque não quis. Ganhou de David o gol que saiu dos pés de Danilo (aos 27 minutos) e, mesmo com recuo habitual dos times de Mano, ainda assim foi mais letal. Mais incisivo. Mais corintiano. 

Rogério Lourenço armou direitinho o sistema defensivo rubro-negro, com ideias mais de Cuca que de Andrade: para liberar Leo Moura e Juan para baterem com os laterais Alessandro (que não voltou bem) e Roberto Carlos. Na marcação, definiu Williams para tentar seguir o iluminado Dentinho do primeiro tempo, com Angelim anulando Jorge Henrique do outro lado, pela direita; por dentro, Ronaldo foi bem seguido por Rômulo, com David na sobra. Danilo foi travado pelo incansável Maldonado. Elias ganhava o duelo pela direita de Vinicius Pacheco, muito mais um volante pela esquerda que o bom meia-atacante que é. Love também estava muito recuado, mais marcando Ralf que tentando jogar com Adriano. Sacrificado taticamente, estava ainda pior tecnicamente. Teve atuação parecida com a de Ronaldo no Maracanã – se é possível. 

Mas futebol é assim. O Corinthians medroso e tacanho do Rio foi Corinthians valente e destemido no Pacaembu. Não era demérito carioca, era imenso mérito paulista. 2 a 0 foi pouco, com sete chances contra três do rival. Não só foram muitas chances criadas. A movimentação de todo o time, com Ronaldo saindo da área e trocando de função com Danilo, com Jorge Henrique e Dentinho atacando pelas pontas, e Elias e até Ralf chegando muito bem. O time se multiplicava nas divididas. Não parecia haver erro. A classificação estava aos pés. Mas ainda havia um senhor rival pela frente. Um Flamengo.

SEGUNDO TEMPO –

Flamengo. 

Bastaria isso para explicar o inexplicável. O flamengável.

Mas é preciso reconhecer Rogério Lourenço. Eu teria soltado um pouco mais Vinícius Pacheco para o jogo. Esperaria 15 minutos para pensar em alguma alternativa – que não seria Kleberson.

Que foi o volante pela esquerda que chegou como meia que deu o belo passe para Vágner Love se redimir – a milésima reviravolta do confronto – e diminuir a vantagem paulista, aos 4 minutos, entre Alessandro e Chicão.

Diminuir, não. Tirar toda a chance corintiana. Mesmo com a torcida honrando o nome e a postura de fiel, o Flamengo foi ainda mais fiel à sua tradição de dobrar e driblar o imponderável. Love resolveu jogar tudo que não jogara no primeiro tempo. Adriano, mesmo longe do ideal físico, ganhou no próprio físico todas as divididas. Com a companhia enfim notável de Vágner, o Flamengo foi no contragolpe cada vez melhor. Cada vez maior. Cada vez mais Flamengo. Mano tentou retomar o gás. Mas não foi feliznas mexidas. Iarley tentou pela direita o que Angelim não deixou ser. Jucilei substituiu Elias quando Ralf deveria sair. Paulinho entrou no lugar de Alessandro para tentar dar vida à direita.

Mas era o redivivo Kleberson quem marcava, armava, e até perdia gols por falta da solidariedade que muitas vezes sobrava a ele e a todo o time. Que marcou com categoria para liberar Leo Moura. Para deixar o Império do Amor deixar de ser motivo de chacota para virar a expectativa e voltar a ser a república de uma paixão mais que centenária. 

O Flamengo flamengou no segundo tempo. E foi superior ao Corinthians que lutou como Corinthians. Jogou mais que o Corinthians de 2010 no primeiro tempo. Mas faltou algo. Embora tenham sobrado aplausos mais que merecidos ao final do espetáculo. Não teve alambrado quebrado. Não teve um lateral crucificado. Não teve treinador derrubado. Teve apenas uma derrota (vitória…) do futebol. Coisa que acontece. 

E acontece ainda mais contra quem enfrenta o Flamengo.

sexo e pizza quando são ruins…

Postado em Sem categoria em maio 3, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Às vezes sou obrigada a concluir que só eu passei por certas experiências na vida. Não dá para pensar outra coisa quando ouço o ditado “sexo é que nem pizza – quando é ruim, é ótimo!”. Será que só eu já comi pizza da Domino’s, meu Deus? Só eu sei o que é uma pizza borrachenta cujo óleo deve ser escorrido antes que ela possa ser degustada?

Só eu já provei uma linguiça calabresa que mais estava para salsicha sobre uma massa que ninguém diria que foi ao forno? Só eu já cravei os dentes numa pasta de catupiry gelada, em atuns sem cor nem sal, em rúculas de anteontem? Ou as pessoas sinceramente comem tudo isso achando ótimo?

Um dos meus namoros terminou precisamente por causa disso: pizza ruim. Quer dizer, né. A pizza condensou tudo o que havia de errado no relacionamento. Porque amar, eu amo esse meu ex-namorado até hoje. Mas ele é vegan (minha analista na época custou a entender o que era isso – ela entendia viga, e provavelmente achava que ele fazia parte de alguma seita, no que não estava de todo enganada), e o dia em que me vi diante de um pedaço de pizza de VEGARELLA – uma gosma branca de tofu para substituir vocês-sabem-o-quê -, não aguentei. Fugi para o banheiro, esse refúgio das mulheres infelizes, e chorando me dei conta de que o namoro acabara ali. Porque até a sexo ruim um namoro sobrevive – mas nada, nada resiste a tofus fumegantes recobrindo uma massa integral.

Com sexo ruim é a mesma coisa. Vez ou outra ouço mulheres dizendo que o sexo foi ruim, mas pelo menos rolô, né? E eu fico matutando, mas qual é exatamente a vantagem de ter rolado se foi ruim? As pessoas não têm coisa mais interessante pra fazer do que sexo de baixa qualidade?

Ou será que só eu já fiz sexo ruim de verdade na vida? Será que só eu já peguei um homem broxa, ninguém mais? Só eu sei o que é ejaculação precoce? Só eu já dei azar de ficar com homem que tem nojinho? Ninguém além de mim já se cansou com o infernal sexo atlético, em que o moço quer mostrar todo o seu domínio das posições sexuais em cinco minutos e a duzentos por hora? Ou as mulheres passam por tudo isso, e ainda assim acham bom?

A sabedoria popular que me perdoe, mas pizza, comigo, tem que ser da Speranza. E sexo, sem citar nomes, tem que ser maravilhoso. A pizza virá amanhã; o sexo, vai depender do processo seletivo.

maldito copo, maldito sono, maldito ronco

Postado em 1 em abril 22, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

De madrugada, no computador, na sala e meu pai dormindo.
Comecei a ficar com sono! Eu virei o restinho de coca-cola que havia no copo, desliguei o computador e levantei do sofá de couro que faz barulho, quando estava quase saindo do quarto vi aquele copo sozinho que havia ficado como a testemunha que o meu pai ronca.
Não achava justo ele dormir com o copo observando ele, decidi levar o copo até a cozinha, tava tudo escuro, a única luz acesa vinha do abajur e mesmo assim era muito fraca a iluminação! Cheguei a pensar em acender a luz para poder levar o copo com uma maior segurança, só que resolvi não acender para não acordar o meu pai, eu me senti segura porque achei que conhecia bem a sala e nada poderia dar errado…
Peguei o copo e fui andando no meio da escuridão, eu não via nada, sabia que a porta estava perto.
Quando tropecei no meu próprio sapato jogado no meio da casa, perdi o equilíbrio e esbarrei o copo na parede, deixando o copo cair e quebrar em mil pedacinhos. No momento da queda, eu ainda tentei salvar a vida do copo usando o meu pé para amortecer o impacto, mas não funcionou…Pelo visto o meu jeito estabanado assassinou o copo.
No momento que ouvi o barulho do vidro quebrando, tive a reação de qualquer ser humano gritando ‘PUTA QUE PARIU!”, depois me lembrei que o master daddy estava dormindo e me arrependi do grito! Fiquei em silêncio cinco segundos e ouvi o ronco dele, por incrível que pareça ele não acordou, chegando a conclusão que o sono dele é hiper pesado, decidi ligar a luz e ver como iria fazer para juntar os cacos. Quando liguei a luz que realmente pude ver o tamanho do estrago, havia cacos para todos os lados parecia que tinha se formado uma cidade de caquinhos filhos da puta!
O copo não tinha mais formato a destruição foi completa!
Diante desse conflito inusitado, mais uma vez disse ” PUTA QUE O PARIU!”
Morrendo de sono fui até a cozinha pegar uma vassoura e uma pá. Coloquei as mãos a cabeça em desespero por não encontrar a maldita pá e sua desgraçada vassoura! Fui perdendo o meu humor e ficando mais ansiosa. Movida pelo sono, cometi um ato no qual tenho vergonha. Voltei para a sala, peguei uma toalha que vi por perto e juntei a maior quantidade de vidro e fiz chuva de vidro. Joguei os vidros pela janela. Foi um ato criminoso e egoísta! No meio da minha ação criminosa, me arrependi e desisti de terminar a execução desse plano para me safar da limpeza. Eu não sei se por sorte ou por azar, ainda tinha 80% do copo no chão.
Para completar o serviço já iniciado, utilizei uma segunda técnica parecida com a primeira, só que sem toalha, dessa vez peguei um pano de chão e levei até o lixo, fiz isso várias vezes, mas mesmo assim, ainda tinha muito vidro. Foi então, que eu apelei para a terceira técnica de limpeza.
A  Terceira Técnica trata-se do foda-se! Comecei a jogar os caquinhos filhos da puta para atrás da porta e foda-se porque eu quero dormir!
É incrível que todo esse evento ocorreu em harmonia com os roncos do master daddy.

Enfim, fui dormir.

FIM

PS: Isso ocorreu na noite passada. Não adianta eu tentar diminuir o tamanho da minha irresponsabilidade porque eu já sou maior de idade!

Postado em 1 em abril 19, 2010 por Rafaela Ferrari Kley

Hoje eu não estava tão inspirada pra escrever, devido aos últimos fatos que não cabe aqui relatar, talvez eu fale nas entrelinhas algum dia, mas não efetivamente e não agora. Depois de muito pensar, surgiu um link aqui no meu navegador do Fotolog de uma pessoa muito importante pra mim,a qual o nome será listada ao final do texto que vou passar pra vocês. É engraçado como eu e ele estamos tão longe, e mesmo não nos falando todo dia normalmente nos sentimos da mesma forma, tenho que parabenizar, mais uma vez tirasse as palavras da minha boca e cantasse a música que tava na minha cabeça. Com vocês então minha paixão e meu amigo, Renato Duarte:

“Talvez o caminho que eu desejo seguir
não seja o que lhe convém. Talvez eu esteja certo, ou não. Talvez eu queira algo que você não tenha certeza. Talvez eu esteja disposto a correr o risco, ou não. Com o passar dos tempos agente vai aprendendo com os erros e cria mecanismos de auto defesa, que podem servir pra ajudar, mas como pra atrapalhar tambem.
A confusão está na cabeça de cada um, as vezes precisamos de ajuda pra reestruturar as idéias. Eu tenho uma idéia que julgo ser a correta. Eu me esforço, eu faço ao menos a minha parte. A cabeça pode ate querer tomar uma atitude drástica, mas o coração impede. O coração esse sim, é sempre sincero. Não da pra engana-lo. Eu vou levando a vida, em busca de algo ainda que acho que nem sei o que é. Espero que um dia alguem ou algo me mostre. Sonhar, faz parte das pouquíssimas coisas que nos movem por esta passagem. Essa noite sonhei com você. No sonho eu não dizia nada, só queria te olhar, te abraçar bem forte. Será que as estrelas estão lá mesmo pra nos guiar? Ou pra nos confundir? Que certezas eu tenho agora? Um dia está aqui, no outro não está mais. Que viagem louca como tudo na minha vida é. Nada eu julgaria estar entre as normalidades. Tudo é tão intenso, tanto no amor, quanto na dor. E eu só queria estar ali, do jeito que eu sempre quis. O poder estar dentro de cada um de nós, pra mudar o rumo da historia. Basta apenas querer. Um dia quem sabe não é mesmo? Viva intensamente sempre olhando pra frente, nunca pra trás, aproveite o máximo cada momento, amanhã a viagem pode ser outra. Outras companhias, outros sentimentos, outras verdades. Só não pode se arrepender, se lamentar do que já passou. No fim, tudo valeu a pena!”

Só quero saber do que pode dar certo,
não tenho tempo a perder ♫

BSB @ 2009

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